Paquetá em Santos

Agosto 4th, 2009 de Drê

Após mais de um mês combinando, dia 26 de julho de 2009, às 8h40, um domingo, eu estava na porta da Ekoa para rumar à Santos numa visita às meninas que produzem os colares, brincos e chaveirinhos de chita que a Tekoha comercializa, a Comunidade de Paquetá.

Saída prevista para impreteríveis 9h da manhã, aconteceu às 9h35, quando finalmente a Flávia chega esbaforida após subir a Fradique.

Eu (Andressa), Dannynha, Henrique, Anastasia, Flávia e Felipe (funcionário da Ekoa que quis nos acompanhar) rumamos Imigrantes abaixo para Santos, na zona portuária, no centro velho da cidade.

Chegamos lá por volta das 11h, quando a Leidiane (liderança das Raízes Corticeiras) já estava preocupada, porque o número do celular que ela tinha do Henrique já não era mais o que ele usa. Descemos todos do carro e ficamos esperando a Leidiane chegar na sede da Associação dos Moradores do Centro.

A Associação fica bem ao lado do porto e bem na frente da estação onde se pega a catraia – Bacia do Mercado – e a balsa para ir a São Vicente de Carvalho / Guarujá. O que é a catraia? Conto mais a frente…

Logo em seguida, de bicicleta, chegam a Leidiane e a Letícia. A Letícia é a filhinha da Leidiane, que segundo a Leidiane e as amigas dela foi criada em meio a chita e colares! Um molho de chaves enorme separava a rua da Associação. Quando a portinha se abriu, subimos por uma escada cumprida e chegamos a uma sala que tinha mais quatro portinhas. Numa delas, tinha escrito em letras de papel recortadas: RAÍZES. Ali é o atelier das Raízes Corticeiras: onde todos os colares, brincos e chaveiros são produzidos. A sala tem aproximadamente 4 x 3 m2 e um banheirinho.

Logo em seguida, chegaram mais pessoas, também integrantes do Raízes Corticeiras dentre elas Francine, Nai e Jackson. Conversamos muito com o Jackson e com a Nai, que são jovens lideranças na região do Paquetá. Jackson nos contou que até mesmo para o Canadá ele já foi representando a Associação para apresentar o caso de sucesso que é a mobilização social jovem do bairro.

A Leidiane nos contou que a sede do Raízes foi reformada pelo pai dela, que pintou, trocou o forro e limpou todo o espaço. O prédio é alugado pela Associação de um “cara”. Eles querem deixar de pagar o aluguel de lá, mas de maneira nenhuma querem sair do Centro de Santos! O Jackson e a Nai nos contaram também que em janeiro de 2007, receberam um financiamento da Petrobrás para o Projeto do Raízes Corticeiras, mas até hoje o dinheiro não saiu. Isso não foi impecilho para eles continuarem crescendo, aumentando o portfolio dos produtos e criando! “Parece que agora a grana sai” – contam – “enviamos o último documento que eles pediram. Vamos ver! Já faz mais de ano que deveríamos ter recebido. O lançamento da linha de couro era para ter sido feito com esse dinheiro, mas já lançamos mesmo sem a grana e mandamos para o pessoal da Petrobrás para eles verem… eles adoraram! Com esse dinheiro, agora, quando vier, queremos abrir uma loja no Shopping só com os nossos produtos”.

Paquetá também é o nome do cemitério que fica bem no meio do bairro. O Cemitério do Paquetá, na cidade de Santos/SP, o mais antigo cemitério da cidade, fundado em 30 de novembro de 1854, abriga entre seus 26 mil metros quadrados, alguns “moradores ilustres” como o pintor Benedicto Calixto, os poetas Martins Fontes e Vicente de Carvalho e o Ex-Governador do Estado de São Paulo Mário Covas.

O Cemitério também é conhecido pelo seu fantasma igualmente ilustre: O Fantasma do Paquetá. As histórias contam que no portão do Cemitério, no início do século, à meia-noite, rondava entre as ruas Bittencourt e Rua São Francisco uma fantasma (sim, mulher!) que ora estava vestida de branco, ora de branco. Ela fantasma acenava com lenço branco e o colocava nos olhos por baixo do véu que lhe cobria a cabeça, como se enxugasse uma lágrima.

Histórias e Lendas a parte, logo em seguida de conhecermos a Sede da Associação e o QG das Raízes, fomos visitar o canteiro de obras, onde estão sendo construídas 130 undiades de moradia: tudo em modelo de mutirão. A comunidade está sendo financiada pelo Governo Federal. Cada unidade poderá ter até 3 quartos, sala, cozinha e banheiro e aproximadamente ¼ do valor total de cada uma das unidades é paga em formato de trabalho comunitário. Esse modelo de financiamento do Governo Federal para essa construção foi conseguido totalmente por força e pró-atividade da comunidade. Pelo modelo de mutirão, entregarão as unidades em menos da metade do tempo que um empreendimento desse porte feito apenas com força da CDHU, por exemplo.

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No caminho indo ao canteiro de obras, vimos onde serão as sedes da padaria comunitária e da creche comunitária 24 horas. Estão aguardando a liberação da verba já conseguida, para iniciarem as obras. Muitos dos moradores (mães e pais) da região trablham também a noite em empresas que prestam serviços ao Porto, ou como garotas de programa, ou fazendo bicos e não têm com quem deixar os filhos no período da noite: daí surgiu a idéia da creche 24horas.

Na volta, decidimos fazer um passeio de catraia. Eu disse que explicaria o que é a catraia, né?…
Da primeira vez que andei de catraia, a única palavra que encontrava para descrever a experiência era: indescritível. Eu precisava levar todo mundo lá para experimentar também!

A partir daqui, vou descrever a minha primeira experiência de catraia, isso que queria compartilhar com todo mundo:

Entrei, junto com o grupo que estava em janeiro de 2009, num barquinho de motor a diesel de uns 4 metros de comprimento por 1,5 de largura. Dois metros à minha frente, um túnel, no qual entramos.

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Que raio de túnel era aquele? Com aquele cheiro estranhíssimo, igualmente indescritível… e eu olhava para cima e entre as ripas de madeira que cobriam o tal tunel, umas pessoas, carros passando, ouvia barulhos fortes de coisas caindos… e mais uma vez: aquele cheiro estranho, misturado ao da fumaça do diesel queimado do motor do barquinho… E a iluminação que vem e vai, conforme os espaços entre as ripas de madeira…
Esse trajeto até descobrir onde eu estava durou mais ou menos 5 minutos. E quando menos eu esperava, literalmente eu vi a luz do fim do túnel. Junto com a luz, descobri que esse tunel terminava entre dois navios cargueiros estrangeiros colossalmente gigantescos, pretos, enormes (!). E eu naquele barquinho minúsculo… mais uns 500 metros a frente, São Vicente e também a balsa. Mas eu não conseguia tirar os olhos daquele buraquinho escuro entre as duas barcaças, que ficava cada vez menor, conforme íamos chegando mais perto da margem: Eu estava bem no meio do Canal do Porto de Santos e o tal tunel tinha atravessado por baixo, todo o Cais do Porto.

Voltando à visita da Tekoha a Paquetá…
No trajeto da catraia, todo mundo estava com a mesma sensação que eu tive em janeiro de 2009: “onde estamos? Onde esse tunel vai dar? Que cheiro é esse?”, mas dessa vez, o porto estava vazio, não tinham os cargueiros enormes para dar aquele BAAAQUE… de qualquer maneira a experiência foi válida! Chegamos do outro lado e embarcamos na balsa tradicional para voltarmos: tudo isso acompanhados e muito bem ciceronados pela Nai e pelo Jackson!

Voltamos, nos despedimos e fomos para a Orla almoçar, para voltar para São Paulo! Um dia feiozinho em São Paulo, nublado e garoando, nos levou a um dia semi-ensolarado em Santos, no qual conhecemos pessoas lindas e pudemos nos conectar não-virtualmente com elas! ;)

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Uma resposta

  1. Vitor

    Olá, tudo bem?
    Sou Vitor e faço parte do projeto “Dia do Bem Fazer”. Você conhece?
    Dia do Bem Fazer é uma iniciativa que envolve dezenas de ações voluntárias em mais de 50 cidades do Brasil. Ela acontecerá em 16 de agosto, um dia em que qualquer um de nós pode fazer o bem a alguém ou a si mesmo. A data está marcada, mas será apenas o ponto de partida para um movimento maior. E é justamente por isso que estou divulgando este projeto na internet.
    O principal objetivo deste trabalho é motivar as pessoas a adotarem uma causa e realizar alguma ação em prol da comunidade e do bem comum. Para isso, criamos um blog (http://diadobemfazer.wordpress.com) que será um ponto de encontro de todas as iniciativas do bem promovidas pelos funcionários do Grupo Camargo Corrêa, de onde surgiu a iniciativa, e também materiais enviados pelos internautas.
    Além do blog, criamos o Twitter (www.twitter.com/bemfazer) que divulgará informações sobre os preparativos para o dia do Bem Fazer e estimular a participação dos internautas em ações do bem. A ideia é que qualquer um de nós pode aderir a este movimento, o que faz bem a gente mesmo e a quem é ajudado.
    Por meio do Twitter, vamos divulgar também o selo do Bem-Fazer, que representa a força das boas ações e sua capacidade de gerar uma grande corrente do bem.
    Entro em contato com você pois acreditamos que, com sua ajuda, este número pode aumentar. Se você tiver alguma atitude do Bem envie para nós, bemfazer@rp20.inf.br e se inscreva na rede do Bem Fazer no Twitter. Se quiser, também criamos este selo (http://migre.me/4ZP8) para você inserir no seu espaço e ajudar a espalhar essa ideia.
    Qualquer dúvida por favor me avise!
    Um abraço,
    Vitor
    bemfazer@rp20.inf.br
    http://diadobemfazer.wordpress.com
    www.twitter.com/bemfazer

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