Raízes Cortieiras no Ação Hoje!
O programa mostra a arte das moradoras dos cortiços de Santos, no litoral paulista. O barulho do trem não atrapalha a concentração. O grupo Raízes Corticeiras existe há dois anos.
“É um grupo de mulheres moradoras de cortiços que vendem bijouteria de chita. A gente faz bijouteria de tecidos e agora estamos com uma linha nova de couro. A gente recebe algumas doações de fábricas de bolsas de couro e faz. A chita a gente compra”, diz Gledisnai Faustino, 19 anos, coordenadora geral do projeto.
As dez integrantes se reúnem na associação cortiços do centro. São responsáveis pela confecção e pela venda dos produtos.
“O ponto do tecido a gente já sabia, cada uma já sabia, que a mãe, a avó, já ensinam. Agora só a chita, só o modelo da bijouteria que a gente aprendeu aqui. É. A gente tem uma parceria com o instituto elos que eles fazem a parte do designer pra gente, só que cada uma tem um todo o direito de criar, que é o que as meninas fazem”, diz Gradsnay.
“É uma valorização humana, é uma cidadania plena, sem ter que ficar vivendo só do assistencialismo, de só reclamar e não fazer nada. E assim, elas acabam descobrindo o talento que cada uma tem, que é legal e o legal é que não é a ACC que administra a parte financeira, são elas que fazem e administram também a parte financeira”, diz Samara Margareth Conceição Faustino, presidente da Associação dos Cortiços do Centro.
O lucro é reinvestido na produção e dividido entre as artesãs.
“É uma forma de gerar renda pra cada uma das famílias, porque o dinheiro vem, e é uma forma de ajudar em casa também”, diz Gradsnay.
“Pra mim foi muito bom, porque eu não tinha outra renda também e no momento, essa chegou na hora certa”, diz Joaquina do Socorro Lima, 60 anos.
“Eu não tinha como sustentar a minha filha, aí teve essa oportunidade, fazer bijouteria, vamos aprender, aí eu falei - eu não sei costurar -, mas é um ponto de fralda, tu aprende -, e eu batendo na tecla que eu não sabia. Aí eu falei - vou tentar -, tentei, estou desde o começo, nunca desisti”, diz Leidiane Silva Mendes, 23 anos.
Leidiane levou o trabalho para dentro de casa e a família, para o projeto.
Eu faço chaveiro e broche, eu começo fazendo assim. primeiro eu pego a agulha, faço um fuxico direitinho, diz Maria da Silva, 52 anos.
Mudou bastante coisa, porque agora eu tenho uma renda. Quando tem encomenda, a gente se vira nos 30. A gente coloca até os maridos pra fazer, eu ensinei o meu, a minha irmã ensinou o dela, eles não faz parte mas sempre dá uma mão, sempre ajuda a gente, diz Taiane Silva Mendes, 21 anos, irmã.
O nome “raízes corticeiras” é uma homenagem à origem das integrantes.
“A gente mora em cortiço e também tem uma planta que chama de corticeira. A nossa presidente deu essa sugestão pra nós, ficava muito legal esse nome. Em homenagem à planta, esse pé de árvore, e que a gente mora em cortiço”, diz Joaquina do Socorro Lima, 60 anos.
O próximo objetivo do grupo é abrir uma loja própria no país, mas as peças já conquistaram um mercado bem longe das raízes.
“A gente começou, na verdade, a vender pra fora do país, agora que a gente vende mais aqui no Brasil. Tem um, a gente teve um ponto de venda em Boston. Já foi pro Canadá, pra Grécia, pra Argentina, pro Equador, pra Inglaterra, pra vários países, através de pessoas que vem visitar a comunidade, daí conhece o nosso trabalho, acaba gostando e leva”, diz Gradsnay Faustino, 19 anos, coordenadora geral do projeto.
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